VOLUNTARIADO
Testemunho de uma experiência em Bali

18 de julho de 2019


Conhecia-lhe este desejo há já bastante tempo e sempre soube que mais cedo, ou mais tarde, ela iria voar para concretizá-lo! E vai que foi no passado mês de Junho que este Ser Humano me encheu - ainda mais - de orgulho quando partiu, sozinha, para aquela que foi, até hoje, a maior aventura da sua vida. Hoje é o testemunho dela que fica por aqui. Em tom de inspiração, de admiração ou de incentivo para todos aqueles que também o queiram fazer! Viajamos com ela? 

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O sonho comanda a vida... já dizia Fernando Pessoa e não poderia haver melhor descrição para esta experiência. Há aproximadamente dois meses, tomei a decisão. Acordei a pensar este ia ser o verão da minha vida, que o timing era o certo e que uma experiência assim só poderia acontecer agora. Confesso que a minha mãe não achou grande piada ao início principalmente por querer ir sozinha, comigo mesma, mas depois dada a minha persistência aceitou e começou a ajudar-me a planear tudo.

Para ingressar num projeto destes é necessário estar com o mindset certo. Perceber que iremos confrontar-nos com uma nova cultura, que no espaço de 3 semanas/1 mês não podemos exigir uma mudança radical na vida daquelas crianças, aceitar as suas personalidades e perceber que a nossa função é contribuir para um futuro melhor a longo prazo. Voluntariado é um processo em que todos vamos com a missão de continuar a construir o caminho que outros já haviam começado.

Para mim, esta experiência foi o balanço perfeito entre realização pessoal, descoberta de uma nova cultura/país e missão. Fui com o objetivo primário de apoiar e contribuir para o desenvolvimento daquela sociedade. Isso foi o que me moveu, saber que poderia ajudar ainda que num curto período de tempo aquelas crianças a aprenderem inglês – uma língua que para eles é fundamental dado que o grande pilar da economia é o turismo. 

Tudo começou no dia 3 de junho, chegada a Bali, assustada e com algum receio do que ia encontrar. O segredo? Não criar expectativas, não planear grande coisa. Eu ia com uma certeza, tinha data de ida e volta, bilhete de avião, mas não tinha mais nada. 

Foi então que cheguei à casa de Voluntários, Green Lion em Ubud, Bali. Não tive primeira reação porque estava tudo escuro, e com a minha ansiedade só me queria deitar e dormir. Segunda feira, dia de formação e muitas aprendizagens relacionadas com a própria cultura, apresentações, foi o meu primeiro dia. Conheci as instalações que superaram todas as expectativas, conheci todo o staff que não poderia ser melhor e a “minha aldeia”. Conheci pessoas do Mundo todo, e ao longo do dia o grupo foi-se criando. Éramos 9, três americanas, duas australianas, 1 canadiano, 2 ingleses e eu! Querem imaginar o quão intensa foi essa semana, 24h/7dias a falar inglês com nativos.... Foi stressante, mas a portuguesinha aguentou-se. Terça feira foi o primeiro dia na escola e não poderia ter corrido melhor. Estava muito nervosa porque nunca havia ensinado, mas mais uma vez, a energia e amor que senti superou tudo o que alguma vez podia ter imaginado. Adorei a minha turma desde o dia 1. Cada vez que acabavam as aulas eu já só pensava que no dia seguinte ia vê-los novamente.

Os dias foram passando, com escola de manhã (das 9h às 12h) e turistar à tarde. Vi quase tudo o que havia para ver em Ubud na primeira semana. No fim de semana aproveitamos para ir a Canggu, uma cidade junto ao mar, com uma energia incrível e muita festa. Na segunda semana, as aulas foram à tarde e aproveitei as manhãs para planear e apanhar sol na piscina. A hora da despedida foi muito difícil. Quando é que irei ver os meus meninos novamente? Eles amam-nos com o mais puro sentimento, sem maldade, sem pedir nada em troca. Simplesmente amam. Foi um dia muito divertido, fizemos imensos jogos, oferecemos muitos doces, chocolates. Foi a melhor despedida.


Em Bali vivi a felicidade plena, pura e dura. Se antes já desvalorizava certas e determinadas situações, agora ainda mais. Agora sei com mais certeza de que o erro faz parte do ser humano, que perdoar é uma arte, que é possível viver acompanhada com um sorriso diário e agradecida. Sei com mais certeza de que ainda há muito para mudar na nossa sociedade Portuguesa, que tanto se queixa de coisas que lá fora, muitos iriam valorizar. Os balineses são um povo que vive tão feliz, sem luxos e com um salário mínimo equivalente a 300€. Poderiam ser muitas vezes como nós, maldispostos com a vida e a criticar tudo o que aparece, mas não. São um povo que acorda feliz, sorri para a vida, sorri para o próximo, valoriza o que tem e não tem raiva de quem tem mais. São uma inspiração.

O programa "IVHQ – Teaching Program" para ensinar inglês é um dos programas que a IVHQ disponibiliza e para mim foi a escolha certa. Voltei para Portugal com o sentimento de missão concluída, com a certeza que contribuí para a sociedade e acima de tudo que deixei o meu marco. Que amei e fui amada, que fui feliz e fiz feliz.

Aconselho a experiência a todos, e quem tiver oportunidade para ir com a volunteerhq tanto melhor, pois como já referi, faz o balanceamento perfeito entre a experiência e turismo. Regressei dia 21 de Junho com a certeza de que irei voltar a Bali, e quando acontecer, não deixarei de visitar quem um dia me fez tão feliz. A minha família Green Lion.

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